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sábado, 10 de julho de 2010

ROLETA SEXUAL

Arriscar a sorte pode ser emocionante num cassino em Las Vegas, mas não na cama. É chato ter de lembrar disso na hora H, mas muitas das doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs, evoluem em silêncio. Portanto, não tem jeito: conhecer quais são, como agem e usar preservativo é a maneira eficaz de se defender.
HERPES: é uma das DSTs mais disseminadas no Brasil. Transmitida por vírus, se caracteriza pelo surgimento de bolhinhas nos lábios e lesões dolorosas no pênis.É para toda a vida: as feridas voltam sempre que cai a resistência do organismo.
É bom saber: 90% da população brasileira tem o vírus, mas só 40% dos portadores manifestam o problema. Ou seja, a pessoa contaminada pode não apresentar sintomas e mesmo assim ser transmissora. Outro fato relevante: a camisinha não oferece proteção total contra o herpes. “Pode-se pegar pelo contato das lesões com a pele não coberta pelo látex”, alerta Valdir Pinto, do Programa Nacional de DSTs e Aids do Ministério da Saúde.
GONORRÉIA: transmitida por bactéria, é outro problema bem comum no Brasil, onde afeta mais mulheres na faixa dos 20 anos. Os homens sentem inicialmente como um leve formigamento na uretra, mas ela começa a incomodar de verdade quando surgem intenso ardor ao urinar e uma secreção amarelada que mancha a cueca. A gonorréia não tratada pode evoluir para a epididimite – uma doença dolorosa dos testículos – e causar infertilidade.
É bom saber: dois a três dias depois de se manifestar, os sintomas da gonorréia podem desaparecer. Aí mora o perigo. “O cara acha que está curado, não procura o médico e se complica no futuro”, diz Valdir Pinto.
HPV – PAPILOMAVÍRUS HUMANO: nesse caso, temos mais sorte do que as mulheres: em nós, as verrugas se manifestam explicitamente na região genital, enquanto nelas podem avançar pelos genitais até o colo do útero. É por isso que a maioria das mulheres que portam um dos inúmeros tipos desse vírus (grandes causadores do câncer do colo do útero) não tem a mínima idéia de sua contaminação.
É bom saber: o vírus pode ser transmitido por sexo oral. Se um dos parceiros for infectado, ambos precisam de tratamento.
CLAMÍDIA: uma leve dor na uretra e a presença de secreção na cueca são avisos da contaminação pela bactéria Chlamydia trachomatis. “Não é um problema grave, mas no homem, se não for detectado e tratado, pode causar infertilidade”, afirma Valdir Pinto.
É bom saber: 75% da população feminina (e metade da masculina) com clamídia não apresenta sintomas e nunca procura tratamento.
SÍFILIS: até a descoberta da penicilina, nos anos 40, a simples menção à doença (então fatal) provocava calafrios. Causada por bactéria, sua fase inicial é assinalada pela presença de uma única lesão genital, avermelhada e de bordas duras – nem sempre dolorida, porém –, conhecida como cancro duro. Se não for medicada a tempo, evolui para problemas cardíacos, hepáticos e neurológicos.
É bom saber: o cancro duro é facilmente percebido no homem, mas na mulher pode se esconder na parte interna da vagina. “No prazo de uma semana, a ferida costuma desaparecer, levando a pessoa a crer que está curada, mas a doença continua ativa no organismo”, explica a educadora sexual Maria Helena Vilela, diretora do Instituto Kaplan de Sexualidade, em São Paulo.
AIDS (SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA): o Brasil tem 600 mil portadores do vírus HIV, e outros 382 mil homens e mulheres se encontram nos primeiros estágios da doença. “Portanto, muita gente a transmite sem saber”, lembra o médico Valdir Pinto. Os primeiros sintomas do mal, que leva à progressiva perda da imunidade, podem surgir num prazo de semanas ou meses após o contágio: os mais comuns são febre persistente, calafrios, dores musculares, ínguas e manchas na pele. Só para lembrar: está 100% provado que não se pega a doença por beijo, suor, uso de banheiros públicos, alicates de unha, lâminas de barbear ou picadas de mosquitos. Só por meio de penetração vaginal ou anal sem camisinha, compartilhamento de agulhas ou contato com sangue infectado. E o sexo oral? Há controvérsias, mas aí as chances de contaminação são consideradas bem menores, se não insignificantes.
É bom saber: o exame de sangue específico para o diagnóstico detecta a presença do vírus cerca de 20 dias após o contágio. Hoje, apesar de o coquetel antiaids prolongar quase indefinidamente a vida dos HIV-positivos, a descoberta da tão sonhada vacina ainda não passa de esperança. “Por enquanto, usar camisinha é a única maneira de driblar a aids”, reforça Maria Helena Vilela.
HEPATITE B: a infecção pelo vírus HBV começa como uma inflamação no fígado e costuma evoluir para cirrose e câncer de fígado. Os primeiros sintomas– febre, náusea, dor nas articulações, mal-estar – podem demorar de um a quatro meses. Em muitos casos, surgem icterícia (coloração amarelada da pele) e colúria (escurecimento da urina). A hepatite pode ser assintomática: o portador do vírus pode demorar anos para apresentar algum sinal da doença ou nunca tê-los.
É bom saber: primeiro, a notícia ruim. O contágio ocorre também por meio de outros fluidos corporais, como sangue e saliva – portanto, um simples beijo traz risco. Agora, a boa: a vacinação anti-hepatite desde 2001 faz parte do calendário do Ministério da Saúde e a vacina oferece proteção pela vida inteira.
TRICOMONÍASE: essa infecção por protozoário afeta principalmente as mulheres. Nós, homens, quase nunca apresentamos sintomas, que, se ocorrem, são bem discretos: irritação ao urinar e corrimento pela uretra, quase sempre pela manhã. Dificilmente a contaminação evolui para quadros mais graves.
É bom saber: se o problema for detectado em sua parceira, você também deve ser tratado para evitar, assim, o risco de recontaminação.
UM ALERTA FINAL: “Sempre que perceber alguma lesão estranha no pênis, procure imediatamente um urologista. Faça também check-ups e exames de sangue periódicos, a fim de se prevenir”, aconselha a educadora sexual Maria Helena Vilela. Outro cuidado: álcool e drogas podem prejudicar seu discernimento na hora de ir para a cama. Não dê chance ao azar.
(Fonte: Zachary Veilleux, Marcos Rogério Lopes e Wilson Weigl- Revista Men's Health)

Um comentário:

  1. Mesmo vivendo em mundo globalizado e informatizado as DST's continuam tomando um espaço muito amplo principalmente entre homens, pois mesmo percebendo algo estranho em seu corpo(não só DST, mas outras doenças)preferem guarda-las, não sei se por vergonha ou outras razões.

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