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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

TROMBOEMBOLISMO VENOSO

TROMBOEMBOLISMO VENOSO
O acúmulo de gordura na barriga ou nos quadris em pessoas de peso normal aumenta o risco de tromboembolismo venoso (formação de coágulos nas veias que podem se desprender e chegar até os pulmões). O dado é de um estudo dinamarquês publicado no periódico "Circulation".
Essa relação foi encontrada tanto em homens quanto em mulheres. "Mas, como a variação da circunferência abdominal é maior nos homens e a dos quadris é maior nas mulheres, o excesso na barriga dá mais informações sobre o risco em homens e, nos quadris, nas mulheres", disse à Folha a pesquisadora Marianne Severinsen, uma das autoras do estudo.
"A importância da distribuição da gordura no risco do tromboembolismo venoso não havia sido avaliada até aqui", afirma a pesquisadora.
Para chegarem aos resultados, os cientistas acompanharam 27.178 homens e 29.876 mulheres entre 50 e 64 anos por dez anos. Eles avaliaram medidas como peso, índice de massa corporal e circunferência abdominal e dos quadris.
"Encontramos uma diferença estatisticamente significante entre todas as medidas de obesidade e a ocorrência de tromboembolismo venoso sem causa definida", afirma a pesquisadora Severinsen.
Por isso, os resultados do estudo também reforçam que a obesidade, independentemente de onde está localizada, aumenta o risco da doença.
Esse resultado se manteve mesmo após o ajuste de dados como fumo, prática de atividade física, hipertensão, diabetes, colesterol e uso de terapia de reposição hormonal, que poderiam interferir na conclusão.
Para os autores, os resultados devem ajudar os médicos a melhorar a avaliação de risco. No entanto, outros estudos precisam explicar o mecanismo por trás dessa associação.
Síndrome metabólica
"A gordura abdominal está associada à síndrome metabólica [conjunto de sintomas que elevam o risco cardíaco] e sabe-se que ela é fator de risco para trombose", explica o cirurgião vascular Paulo Kauffman, da Universidade de São Paulo.
Na síndrome metabólica, há um aumento da produção de substâncias inflamatórias que provocam lesões na parede interna dos vasos. Além de elevar o risco de doenças arteriais, como aterosclerose, isso também aumenta o risco de doenças venosas, como a formação de coágulos nas veias profundas.
"Além disso, o obeso caminha mal, o que provoca má circulação", diz o cirurgião vascular Pedro Puech, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Por isso, os obesos têm mais chance de sofrer um tromboembolismo venoso mesmo que não estejam em situações de risco clássicas, como viagens longas de avião, cirurgias ou gestação, por exemplo. "Nesses pacientes o cuidado deve ser redobrado", lembra Kauffman.
Coagulação
O tromboembolismo venoso ocorre quando o sangue coagula dentro das veias. Na maioria dos casos, isso acontece em vasos profundos das pernas. Sua maior complicação é a embolia pulmonar -quando o trombo se desprende e cai na circulação, podendo causar uma embolia pulmonar, obstrução capaz de levar à morte.
O termo tromboembolismo venoso envolve tanto a trombose, que é a formação do coágulo, quanto a embolia.
Embora o problema mais temido seja a embolia pulmonar, as complicações tardias também são perigosas.
O coágulo formado na veia leva a um processo inflamatório que causa lesões nas válvulas que impedem que o sangue volte para os pés. A circulação fica comprometida e a perna incha, fica mais escura e podem surgir úlceras de difícil cicatrização. (Fonte: Folha on line)

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