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quarta-feira, 9 de março de 2011

BICICLETA e TRAUMAS FACIAIS

Pesquisa realizada pelo cirurgião-dentista José Luis Muñante- Cárdenas na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) apontou que os tombos de bicicleta foram as principais causas de traumatismos na face de crianças e adolescentes atendidos pela Área de Cirurgia Buco-maxilo-facial.
Levantamento feito pelo especialista mostrou que 27% dos 757 pacientes que passaram pela unidade tiveram lesões faciais motivadas pelos acidentes ciclísticos. Neste sentido, a pesquisa alerta para a necessidade de os pais ficarem mais atentos aos passeios de bicicleta dos filhos, sobretudo com relação ao uso de dispositivos de segurança. A segunda causa das fraturas nos ossos da face ficou por conta das quedas das mais variadas, somando 16%.
O que chama a atenção no estudo desenvolvido por Muñante-Cárdenas foi a alta porcentagem de pacientes que não usaram capacetes e equipamentos preventivos que atenuam as consequências dos acidentes de uma maneira geral. No caso das bicicletas, 98% não estavam utilizando nenhum dispositivo de segurança na hora do acidente.
Acidentes de carro e moto foram responsáveis por 10% e 8% dos casos, respectivamente – trata-se, segundo o especialista, de outro grande problema que requer ações preventivas. Em média, 77% das crianças acidentadas não estavam com cinto de segurança ou aparelho de proteção nos veículos no momento da ocorrência. Já no caso das motos, embora a maioria – 65% – estivesse utilizando capacete, 34% dos atendidos estavam sem o dispositivo.
Isto denota uma falta na prevenção de acidentes por parte dos pais ou pessoas responsáveis por essas crianças. Em minha opinião, seriam necessárias ações educativas mais incisivas que minimizassem o problema”, alerta Muñante-Cárdenas, que no estudo identificou que os meninos são os campeões em acidentes que envolvem o traumatismo facial, pois somaram 70% dos casos, enquanto as meninas totalizaram 227 atendimentos, ou seja, quase 30%.
O estudo, orientado pelo professor José Ricardo de Albergaria Barbosa, contemplou o período de 1999 a 2008 para se analisar as diferentes características das fraturas faciais na população pediátrica atendida na região de Piracicaba, que envolve também os municípios de Rio Claro e Limeira. Em dez anos, os atendimentos totalizaram 2.986, mas Muñante-Cárdenas focou seu trabalho apenas nos pacientes menores de 18 anos.
“Os estudos epidemiológicos de lesões faciais permitem o desenho das circunstâncias de risco e a identificação dos indivíduos mais suscetíveis a elas. Outro aspecto importante é que a avaliação da eficácia do tratamento instituído e a compreensão de suas complicações permitem uma interpretação realista e coerente da melhor forma como estes doentes devem ser conduzidos”, destaca o cirurgião-dentista.
A pesquisa apontou também que o osso facial mais afetado por fraturas foi a mandíbula. Este diagnóstico somou 44,8% dos casos, sendo o tratamento cirúrgico realizado em 49% deles. Há que se lembrar as complicações no pós-operatório decorrente dos processos cirúrgicos, que no estudo, os mais comuns foram hemorragia, infecções, perda do material de fixação interna, alteração da sensibilidade e restrição da movimentação ocular. Já as fraturas nos ossos nasais somaram 30,8% dos registros, enquanto aquelas ligadas ao terço médio facial, consistiram em 23,20% dos casos.
Os dados apurados no estudo levantam questões importantes para a compreensão do trauma infantil.
O cirurgião-dentista destaca que este tipo de abordagem merece uma atenção especial, uma vez que a anatomia e fisiologia óssea facial nas crianças e adolescentes são próprias de cada estágio do desenvolvimento e, por isso, a escolha pelo tratamento a ser seguido é fundamental.
Se no passado os estudos enfatizavam a técnica e os aspectos cirúrgicos, explica o autor da pesquisa, atualmente estes apresentam crescente interesse pela etiologia e prevenção do trauma infantil. “Isto porque, uma vez fraturado o osso, é indicado o tratamento minimamente invasivo para não limitar o potencial osteogênico e o desenvolvimento dentário normal. No entanto, existem situações em que os traumatismos são graves e se fazem necessárias intervenções mais profundas, como a redução aberta e fixação interna rígida”, explica Muñante-Cárdenas ao citar as várias consequências que este tipo de fratura pode causar às crianças e adolescentes, além dos altos custos de procedimentos.
Outro aspecto destacado pelo cirurgião-dentista em seu estudo foi o número de fraturas faciais associadas à agressão física motivadas pelas brigas entre os indivíduos do mesmo grupo etário. Só no grupo de adolescentes, somaram 33 lesões. De maneira geral, Muñante-Cardenas chama a atenção ainda para a elevada incidência de traumas e fraturas de face em pacientes pediátricos e adolescentes na região de estudo.
O cirurgião-dentista José Luis Muñante-Cárdenas, autor da tese, durante atendimento na FOP: pais devem ficar atentos (Foto: César Maia)
Nas referências internacionais, o trauma maxilofacial representa porcentagens entre 1% e 14%, enquanto que a pesquisa apontou 30%. “O percentual é considerado extremamente alto e, por isso, a necessidade de medidas preventivas”, conclui. O estudo contou com a participação dos professores Márcio de Moraes e Roger Moreira, da Área de Cirurgia Buco-maxilo-facial da FOP.
Publicação: Dissertação “Trauma facial em pacientes pediátricos e adolescentes: análise epidemiológica”
Autor: José Luiz Muñante-Cárdenas
Orientador: José Ricardo de Albergaria Barbosa
Unidade: Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP)   Financiamento: Capes

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