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quarta-feira, 22 de julho de 2026

AMBIDESTREZA

A maioria das pessoas "prefere" uma das mãos, e essa mão tende a ser melhor para escrever, arremessar ou manusear ferramentas. A explicação tradicional da ciência é que essa mão dominante "nasce" mais capaz, com suas habilidades enraizadas em um hemisfério cerebral especializado no controle motor. Mas talvez seja hora de atualizar nosso saber científico. Um novo estudo argumenta que essa diferença de habilidade entre as mãos não é inata: Ela seria consequência da prática, e só se manifesta quando pegamos uma "ferramenta" - quando tentamos usar a mão para manusear algum objeto. Os pesquisadores defendem que duas ideias diferentes - preferência e dominância - estão sendo confundidas sob o termo "lateralidade". A preferência, ou seja, qual mão você instintivamente usa para a maioria das tarefas, surge antes do nascimento e tem raízes biológicas, como mostram pesquisas anteriores.Esta nova pesquisa centrou o foco na dominância, que é a diferença de habilidade entre as duas mãos. E as esperadas diferenças não apareceram. Em uma série de experimentos usando captura de movimento 3D, os pesquisadores compararam os dois braços de pessoas durante movimentos de alcance normais, movimentos de alcance com um peso no pulso e movimentos de alcance com uma vareta leve fixada ao antebraço. O movimento de alcance normal e o peso adicional não revelaram nenhuma vantagem clara para o braço dominante. A diferença apareceu apenas com a vareta, quando o braço não dominante teve dificuldade em controlar a trajetória curva mais complexa exigida. Um teste adicional reforçou a ideia: Quando os voluntários escreviam com os cotovelos, usando uma caneta presa ao braço, a dominância desapareceu e, com prática igual, ambos os cotovelos melhoraram igualmente, cada um terminando melhor do que a mão não dominante não treinada. "Você não prefere sua mão dominante porque ela é mais habilidosa," defende o professor John Krakauer, da Universidade Johns Hopkins (EUA). "Ela se torna mais habilidosa porque você a prefere. E você não notaria nenhuma diferença entre suas duas mãos sem ferramentas e objetos no mundo que exigem prática para serem usados corretamente." "Como os humanos são usuários e fabricantes de ferramentas excepcionalmente prolíficos, a lateralidade pode ser um subproduto da nossa inventividade. Nesse sentido a lateralidade pode ser vista como uma impressão digital da cultura humana de uso de ferramentas," completou Ahmet Arac, membro da equipe. https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=ser-canhoto-ou-destro&id=17308&nl=nlds#google_vignette

SÍNDROME DAS PERNAS INQUIETAS e os CANABINOIDES

Uma combinação de THC e CBD reduziu a gravidade dos sintomas da síndrome das pernas inquietas em um estudo clínico publicado no Journal of Neurology. Os resultados sugerem uma possível nova forma de uso terapêutico da Cannabis, mas ainda não permitem afirmar que os canabinoides possam substituir os tratamentos convencionais para a condição. O trabalho acompanhou 18 pessoas durante três meses. Entre os participantes, 16 também tinham esclerose múltipla, doença que afeta o sistema nervoso central. Após um mês de tratamento, os pacientes apresentaram melhora significativa na escala utilizada para medir a gravidade da síndrome das pernas inquietas. O benefício permaneceu ao final dos três meses de acompanhamento. Alguns participantes continuaram usando o medicamento durante um ano, período em que a melhora também foi mantida. A síndrome das pernas inquietas é uma condição neurológica caracterizada por uma necessidade difícil de controlar de movimentar as pernas. A sensação costuma surgir ou piorar quando a pessoa está parada, sentada ou deitada. Os sintomas são mais frequentes à noite e geralmente melhoram com o movimento Além da inquietação, os pacientes podem sentir formigamento, ardência, pressão, coceira interna ou sensações semelhantes a choques nas pernas. Como os sintomas aparecem principalmente durante a noite, a síndrome pode dificultar o adormecimento, provocar despertares noturnos e causar cansaço ao longo do dia. No estudo, os participantes receberam uma formulação contendo 2,7 mg de ∆9-tetrahidrocanabinol (THC) e 2,5 mg de canabidiol (CBD). O THC é conhecido por seus efeitos psicoativos, como alterações na percepção e euforia. Além disso, o composto vem sendo estudado por possíveis ações analgésicas, relaxantes musculares e reguladoras do sono. O CBD não causa os mesmos efeitos psicoativos do THC. O canabidiol vem sendo estudado por possíveis ações anti-inflamatórias, anticonvulsivantes, ansiolíticas e neuroprotetoras. O medicamento foi administrado por via oral. A dose podia ser ajustada depois de quatro semanas, de acordo com a resposta e a necessidade de cada paciente. Antes do início do tratamento, os voluntários realizaram exames de sangue e uma avaliação da respiração durante o sono. Os exames e questionários foram repetidos ao longo do acompanhamento. O objetivo era verificar possíveis mudanças nos sintomas, no sono, na sonolência e na qualidade de vida. No início da pesquisa, os participantes apresentavam, na média, a forma mais grave da síndrome das pernas inquietas. A intensidade foi medida pela Escala Internacional de Avaliação das Síndromes das Pernas Inquietas, IRLS na sigla em inglês. Depois de um mês utilizando o medicamento à base de Cannabis, houve redução estatisticamente significativa nas pontuações da escala. O resultado se manteve após três meses. Após um ano, 66% dos participantes permaneciam em tratamento com canabinoides e continuavam apresentando melhora na escala de sintomas. Esse resultado sugere que o benefício pode ser mantido no longo prazo entre alguns pacientes. O estudo, porém, não esclareceu por que os demais participantes interromperam o tratamento. Tratamento reduziu despertares noturnos Os pesquisadores também avaliaram se o tratamento poderia melhorar o sono dos participantes. Houve redução significativa no tempo que os pacientes permaneceram acordados depois de adormecer. Esse indicador é conhecido como “vigília após o início do sono”, ou WASO, na sigla em inglês. Por outro lado, não foram encontradas mudanças no tempo necessário para adormecer, nem na eficiência do sono. A eficiência do sono compara o período em que a pessoa permanece dormindo com o tempo total passado na cama. Para realizar o estudo, os pesquisadores partiram da hipótese de que os compostos da Cannabis poderiam interferir em mecanismos biológicos envolvidos na síndrome das pernas inquietas. Segundo os autores, os canabinoides podem reduzir a liberação de glutamato em algumas áreas do sistema nervoso. O glutamato é uma substância que participa da comunicação entre neurônios. O excesso de atividade relacionada ao glutamato já foi associado à agitação e às alterações do sono observadas na síndrome. Para os pesquisadores, outros efeitos, como a possível redução da rigidez muscular, do desconforto, da dor ou da ansiedade, também podem ter influenciado a percepção de melhora dos participantes. Presença de esclerose múltipla exige cautela É importante destacar que a maioria dos participantes do estudo tinha esclerose múltipla. A esclerose múltipla é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca estruturas que protegem os neurônios. Isso pode provocar sintomas como alterações de sensibilidade, dificuldades motoras, fadiga, dor e rigidez muscular. Pessoas com esclerose múltipla podem apresentar síndrome das pernas inquietas com maior frequência do que a população em geral. No entanto, sensações causadas pela doença podem se parecer com sintomas da síndrome. Por isso, os resultados devem ser interpretados com cautela. Os benefícios não podem ser generalizados para todas as pessoas com síndrome das pernas inquietas, especialmente aquelas que não têm esclerose múltipla. Os resultados do estudo oferecem uma nova perspectiva para o tratamento da síndrome das pernas inquietas utilizando um medicamento à base de Cannabis com composição e dose controladas. O próximo passo deverá ser a realização de ensaios clínicos maiores, randomizados e controlados. Esses estudos também precisarão esclarecer quais são a formulação e a dose mais adequadas e quais pacientes podem se beneficiar. Também será necessário investigar os riscos do tratamento prolongado. No Brasil, a Anvisa autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. Portanto, quem deseja incluir canabinoides no tratamento deve buscar orientação profissional. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar consultas presenciais ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de terapia. https://www.cannabisesaude.com.br/cannabis-sindrome-das-pernas-inquietas/

ANESTÉSICO À BASE DE CANNABIS EM CIRURGIAS VETERINÁRIAS

Um estudo brasileiro publicado na revista Veterinary Research Communications indica que um óleo à base de Cannabis pode ajudar a reduzir a quantidade de anestésicos usados em cirurgias veterinárias. A pesquisa foi feita com cadelas diagnosticadas com tumor nas mamas e submetidas a cirurgia de retirada dos ovários e do útero. Os animais que receberam o produto precisaram de 61% menos anestésico para induzir a anestesia em comparação com o placebo. Cadelas com tumores e submetidas a procedimentos cirúrgicos podem exigir cuidados anestésicos mais complexos. Os pesquisadores, ligados à Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, destacaram que esses animais geralmente apresentam maior risco devido à idade avançada e ao próprio câncer. Nesse contexto, reduzir a quantidade de anestésicos convencionais pode ser importante. Segundo os autores, esses pacientes podem apresentar maior sensibilidade a medicamentos e maior risco de complicações. A pesquisa avaliou o uso da Cannabis como complemento ao protocolo que combina diferentes estratégias anestésicas na medicina veterinária. O estudo foi desenhado como randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Ao todo, 20 animais foram divididos em dois grupos: 10 receberam o óleo à base de Cannabis e 10 receberam placebo. O produto utilizado continha 10 mg/mL de canabidiol, o CBD, e 6 mg/mL de ∆9-tetrahidrocanabinol, o THC. Também havia outros canabinoides, terpenos e flavonoides na formulação. A composição foi confirmada por cromatografia líquida de alta eficiência. O grupo tratado recebeu o óleo por via oral durante sete dias antes da cirurgia. Nesse período, a dose foi de 0,2 mg/kg de CBD e 0,12 mg/kg de THC, duas vezes ao dia. No dia do procedimento, os animais receberam uma dose única de 2 mg/kg de CBD e 1,2 mg/kg de THC uma hora antes da pré-medicação anestésica. Cannabis como complemento à anestesia convencional: é importante destacar que, nesse estudo, a Cannabis não substituiu os anestésicos convencionais. Todos os animais passaram por um protocolo anestésico com indução por propofol e manutenção com sevoflurano. O objetivo foi avaliar se o óleo poderia reduzir a necessidade desses medicamentos, melhorar a sedação e contribuir para a estabilidade do procedimento. Além da redução de 61% na necessidade de propofol, o grupo tratado com Cannabis também precisou de menores concentrações de sevoflurano, um anestésico inalatório, durante quase toda a cirurgia. Os pesquisadores mediram a quantidade necessária de sevoflurano desde o início da anestesia até o final da cirurgia. Na maior parte dessas avaliações, as cadelas tratadas com Cannabis precisaram de menos anestésico inalatório. A diferença variou de aproximadamente 31% a 44% em diferentes momentos. Durante os sete dias de preparação e no pós-operatório imediato, não foram relatados efeitos adversos ou prejuízo à segurança da anestesia. Para os pesquisadores, novos estudos são necessários para avaliar os efeitos de longo prazo do óleo à base de Cannabis na recuperação pós-operatória e no manejo da dor. Além disso, o estudo incluiu apenas cadelas com até 12 kg. Por isso, os autores afirmam que os resultados devem ser estendidos para cães maiores com cautela. Por enquanto, o estudo indica que o uso controlado de Cannabis contendo CBD e THC pode ter potencial como complemento em protocolos cirúrgicos veterinários. No Brasil, a Anvisa autoriza que médicos veterinários prescrevam medicamentos à base de Cannabis para seus pacientes. O e-book gratuito Cannabis na Medicina Veterinária traz informações atualizadas sobre as possibilidades dos derivados da planta na saúde animal. Já os médicos-veterinários podem se aprofundar no tema no Curso de Prescrição de Cannabis Medicinal para Veterinários. https://www.cannabisesaude.com.br/cannabis-anestesia-cirurgia-veterinaria/

CBC: CANABICROMENO - canabinoide pouco estudado

Canabinoide pouco estudado, o canabicromeno, conhecido como CBC, apresentou efeitos anti-inflamatórios em um estudo sobre artrite reumatoide. Um canabinoide da Cannabis menos conhecido do que o CBD e o THC apresentou efeitos anti-inflamatórios em um estudo sobre artrite reumatoide. A pesquisa avaliou o canabicromeno, conhecido como CBC, em células e animais. Nos animais, o tratamento com CBC reduziu a gravidade da artrite em comparação com o placebo. Os pesquisadores também observaram alterações em diferentes moléculas envolvidas na inflamação, como IL-6, STAT3 e IL-17A. O canabicromeno é um dos compostos produzidos pela planta Cannabis. Assim como o CBD, ele não provoca os efeitos psicoativos associados ao THC. Pesquisas anteriores já haviam identificado possíveis efeitos do CBC sobre a dor e a inflamação, mas os mecanismos envolvidos ainda não estavam bem definidos. O novo estudo procurou entender de que maneira o CBC poderia interferir nos processos biológicos que sustentam a inflamação na artrite reumatoide. A artrite reumatoide é uma doença autoimune crônica na qual o sistema de defesa do corpo ataca as articulações. A pesquisa teve duas etapas. Na primeira, os cientistas utilizaram células humanas. Na segunda, os pesquisadores induziram artrite em ratos. Os animais foram divididos em quatro grupos: • um grupo tratado com CBC;• um grupo tratado com metilprednisolona, um corticoide;• um grupo que recebeu placebo;• um grupo saudável, no qual a artrite não foi induzida. Os animais do grupo CBC receberam diariamente 15 mg do composto por via oral. Ao longo do experimento, os pesquisadores acompanharam o peso dos animais, a espessura das patas e a gravidade dos sinais de artrite. Depois, analisaram amostras de sangue e do tecido sinovial. O tecido sinovial é a membrana que reveste as articulações. Os animais tratados com CBC apresentaram uma redução significativa nos indicadores clínicos da artrite em comparação com o grupo placebo. Esses indicadores consideram sinais como vermelhidão, inchaço, rigidez e número de articulações afetadas. O grupo tratado com CBC também apresentou a menor perda de peso entre os animais com artrite. Segundo os autores, isso pode indicar a manutenção do bem-estar dos animais ou um possível efeito sobre a dor. Apesar da melhora clínica, a redução da espessura das patas não foi considerada estatisticamente significativa. Portanto, os resultados indicam que o CBC não diminuiu o edema nas articulações. A metilprednisolona, usada como tratamento de comparação, também reduziu os sinais clínicos da artrite. Tanto o canabinoide quanto o corticoide produziram melhora, mas o estudo não permite afirmar que os dois tratamentos tenham eficácia equivalente. Um dos principais achados do estudo foi a alteração de diferentes mecanismos moleculares ligados à inflamação. O CBC reduziu a atividade da IL-6, uma citocina que ajuda a manter a resposta inflamatória. Também houve redução da STAT3, uma proteína que participa da transmissão de sinais entre as células e da coordenação das células do sistema imunológico. Os pesquisadores observaram ainda uma redução de IL-17A, outra citocina associada à inflamação crônica. Na artrite reumatoide, essas moléculas podem contribuir para a inflamação da membrana sinovial, a ativação de outras células de defesa e a progressão das lesões nas articulações. Outro resultado de destaque foi a redução de componentes do inflamassoma. O inflamassoma é um conjunto de proteínas que ajuda o sistema imunológico a reconhecer situações de perigo e iniciar uma resposta inflamatória. Quando permanece excessivamente ativado, pode contribuir para inflamações crônicas. O tratamento com CBC reduziu a atividade de NLRP1A, NLRP3 e caspase-11, proteínas envolvidas nesse processo. De acordo com os autores, os dados sugerem que o CBC pode interferir tanto na produção de sinais inflamatórios quanto na ativação e liberação de citocinas. Apesar dos resultados animadores, os próprios autores destacam que a pesquisa foi conduzida em apenas um modelo animal. Esse tipo de experimento não reproduz toda a complexidade da artrite reumatoide em pessoas.Os pesquisadores defendem a realização de novos estudos para esclarecer com maior precisão como o CBC atua.Também será necessário avaliar diferentes doses e possíveis combinações com outras terapias, além da segurança do CBC em tratamentos prolongados. O artigo reforça o interesse científico pelos canabinoides menos conhecidos da planta. Os resultados mostram que o CBC pode influenciar diferentes mecanismos ligados à inflamação, com potencial para complementar o tratamento de condições crônicas. No Brasil, a Anvisa autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. Os produtos disponíveis nas farmácias brasileiras são, geralmente, ricos em CBD e/ou THC. O acesso a produtos com maior concentração de canabinoides menores, como CBG, CBN e CBC, é possível através da importação regulamentada pela RDC 660 da Anvisa. A escolha do medicamento deve ser feita por um médico, após avaliação de cada caso. Pessoas que desejam incluir canabinoides no tratamento devem buscar orientação profissional. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de terapia. Portal Cannabis & Saúde. Publicado em 16 de julho de 2026 • Revisado por Gregorio Ventura