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quarta-feira, 22 de julho de 2026

ANESTÉSICO À BASE DE CANNABIS EM CIRURGIAS VETERINÁRIAS

Um estudo brasileiro publicado na revista Veterinary Research Communications indica que um óleo à base de Cannabis pode ajudar a reduzir a quantidade de anestésicos usados em cirurgias veterinárias. A pesquisa foi feita com cadelas diagnosticadas com tumor nas mamas e submetidas a cirurgia de retirada dos ovários e do útero. Os animais que receberam o produto precisaram de 61% menos anestésico para induzir a anestesia em comparação com o placebo. Cadelas com tumores e submetidas a procedimentos cirúrgicos podem exigir cuidados anestésicos mais complexos. Os pesquisadores, ligados à Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, destacaram que esses animais geralmente apresentam maior risco devido à idade avançada e ao próprio câncer. Nesse contexto, reduzir a quantidade de anestésicos convencionais pode ser importante. Segundo os autores, esses pacientes podem apresentar maior sensibilidade a medicamentos e maior risco de complicações. A pesquisa avaliou o uso da Cannabis como complemento ao protocolo que combina diferentes estratégias anestésicas na medicina veterinária. O estudo foi desenhado como randomizado, duplo-cego e controlado por placebo. Ao todo, 20 animais foram divididos em dois grupos: 10 receberam o óleo à base de Cannabis e 10 receberam placebo. O produto utilizado continha 10 mg/mL de canabidiol, o CBD, e 6 mg/mL de ∆9-tetrahidrocanabinol, o THC. Também havia outros canabinoides, terpenos e flavonoides na formulação. A composição foi confirmada por cromatografia líquida de alta eficiência. O grupo tratado recebeu o óleo por via oral durante sete dias antes da cirurgia. Nesse período, a dose foi de 0,2 mg/kg de CBD e 0,12 mg/kg de THC, duas vezes ao dia. No dia do procedimento, os animais receberam uma dose única de 2 mg/kg de CBD e 1,2 mg/kg de THC uma hora antes da pré-medicação anestésica. Cannabis como complemento à anestesia convencional: é importante destacar que, nesse estudo, a Cannabis não substituiu os anestésicos convencionais. Todos os animais passaram por um protocolo anestésico com indução por propofol e manutenção com sevoflurano. O objetivo foi avaliar se o óleo poderia reduzir a necessidade desses medicamentos, melhorar a sedação e contribuir para a estabilidade do procedimento. Além da redução de 61% na necessidade de propofol, o grupo tratado com Cannabis também precisou de menores concentrações de sevoflurano, um anestésico inalatório, durante quase toda a cirurgia. Os pesquisadores mediram a quantidade necessária de sevoflurano desde o início da anestesia até o final da cirurgia. Na maior parte dessas avaliações, as cadelas tratadas com Cannabis precisaram de menos anestésico inalatório. A diferença variou de aproximadamente 31% a 44% em diferentes momentos. Durante os sete dias de preparação e no pós-operatório imediato, não foram relatados efeitos adversos ou prejuízo à segurança da anestesia. Para os pesquisadores, novos estudos são necessários para avaliar os efeitos de longo prazo do óleo à base de Cannabis na recuperação pós-operatória e no manejo da dor. Além disso, o estudo incluiu apenas cadelas com até 12 kg. Por isso, os autores afirmam que os resultados devem ser estendidos para cães maiores com cautela. Por enquanto, o estudo indica que o uso controlado de Cannabis contendo CBD e THC pode ter potencial como complemento em protocolos cirúrgicos veterinários. No Brasil, a Anvisa autoriza que médicos veterinários prescrevam medicamentos à base de Cannabis para seus pacientes. O e-book gratuito Cannabis na Medicina Veterinária traz informações atualizadas sobre as possibilidades dos derivados da planta na saúde animal. Já os médicos-veterinários podem se aprofundar no tema no Curso de Prescrição de Cannabis Medicinal para Veterinários. https://www.cannabisesaude.com.br/cannabis-anestesia-cirurgia-veterinaria/

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