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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

DIABETES: PRIMEIROS RELATOS

ARETEUS
Ao longo do tempo, a dedicação ao Diabetes de vários profissionais do Brasil e do mundo têm proporcionado descobertas fantásticas para o controle dos níveis glicêmicos. Atualmente, podemos dizer que a longevidade e a prosperidade são conquistas certas para aqueles que seguem o tratamento correto. O conhecimento na área se tornou tão amplo, que passou a merecer o empenho integral de alguns profissionais da endocrinologia. Não é à toa que, recentemente, se tornou comum o termo diabetólogos, para denominar esses profissionais.
Os primeiros relatos datam da era egípcia. Entre os hebreus há relatos com suspeita da ocorrência do diabetes gestacional. Desde a circuncisão de Abraão, aos 99 anos, inúmeras práticas endócrinas foram relatadas. O aborto, por exemplo, era permitido se a gestação representasse risco para a vida da mãe.
No entanto, somente cerca de 2000 mil anos depois, por volta de 70 d.C, o médico Areteu da Capadócia, na Grécia, conseguiu descrever o diabetes. Areteu observou que aquele silencioso problema desenvolvia quatro complicações: muita fome (polifagia), muita sede (polidipsia), muita urina (poliúria) e fraqueza (poliastenia). Areteu observou também que, quase sempre, as pessoas com esses sintomas entravam em coma antes da morte. Era algo “grave e misterioso”. Afinal, mesmo com a fartura de alimentos que entravam pela boca, a falta de energia corporal permanecia.
Desde Areteu – num período de 1600 anos – a Medicina não evoluiu no estudo do diabetes. Só em 1670 é que o médico inglês Thomas Willis descobriu, provando a urina de indivíduos que apresentavam os mesmos sintomas, que ela era "muitíssimo doce, cheia de açúcar".
Em 1815 o Dr. M. Chevreul demonstrou que o açúcar dos diabéticos era glicose. Por esta razão, os médicos passaram a provar a urina das pessoas sob suspeita de diabetes. Desde essa altura a doença passou a chamar-se "diabetes açucarada" ou "Diabetes Mellitus". A palavra "Mellitus" é latina e quer dizer "mel ou adocicado".,
Posteriormente, em 1889, dois cientistas alemães, Von Mering e Minkowski, descobriram que o pâncreas produz uma substância, ou hormônio, capaz de controlar o açúcar no sangue e evitar os sintomas do diabetes. Antes, no entanto, ainda não se tinha o conceito de hormônio ou secreção interna. Em 1849, Arnold Adolph Berthold (1803-1861), fisiologista em Goettingen, por meio de experiências realizadas em galos demonstrou a existência de vazamento de “alguma substancia interna”.
Mas foi Claude Bernard, em 1949, que usou pela primeira vez o termo “secreção interna”. A denominação Endocrinologia entrou em uso no século XX, derivada de endon (interno) e krino (separar), ambos do grego clássico. O termo hormônio foi utilizado pela primeira vez pelo Prof. Ernest H. Starling. Desde então já havia relatos de que o mau funcionamento do pâncreas seria o responsável pelo diabetes.
Fontes:Biblioteca do IEDE;Diabetes Dia-a-Dia: guia para o diabético, seus familiares, amigos e membros das equipes de saúde. Autor: Rogério F. Oliveira;Aventis Pharma./ http://www.diabetes.org.br/)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

CEGUEIRA PREVISÍVEL

Visão Normal x Visão com Retinopatia Diabética
O diabetes mellitus é uma doença metabólica que atinge 10% dos brasileiros e inflige a cerca de 8% da população afetada alguma anomalia na visão. Entre elas está a retinopatia diabética, que é a terceira maior causa de cegueira nos países em desenvolvimento. Identificar os efeitos da doença sobre a visão antes que ocorra a cegueira é o objetivo de uma pesquisa apoiada pelo Instituto Microsoft Research-FAPESP de Pesquisas em TI.
O projeto “Triagem automática de retinopatias diabéticas: tecnologia da informação contra a cegueira previsível” é coordenado por Jacques Wainer, professor do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (IC-Unicamp).
A retinopatia diabética afeta a visão porque provoca microaneurismas nos vasos sanguíneos que alimentam a retina. “Geralmente, quando isso acontece, novos vasos são formados, só que eles são mais fracos e sujeitos a hemorragias que ocorrem no interior do olho e causam cegueira, explicou Wainer.
Em geral, os sintomas só são percebidos pelo paciente quando a doença está em estágio avançado, o que aumenta a importância do diagnóstico precoce.
A solução da equipe de pesquisadores foi criar um sistema computacional que analisasse a distância imagens obtidas por escâneres de retina. O sistema detectaria anomalias na retina a fim de fazer a triagem desses pacientes de modo que fossem encaminhados a um especialista.
“Regiões que não contam com médicos poderiam triar esses casos se contassem com um escâner de retina e um técnico para operar o equipamento. O sistema identificaria casos suspeitos, que seriam encaminhados para um oftalmologista”, afirmou Wainer.
No entanto, o projeto tem que superar um obstáculo importante: o sistema não pode apresentar resultados falso-negativos. “Se o programa não conseguir detectar uma anomalia, o paciente não chegará a ser examinado pelo médico, o que poderá trazer sérias consequências”, ressaltou.
Resultados falso-positivos não chegam a causar problemas tão sérios, porém ocupam desnecessariamente o tempo de um especialista. “Nosso objetivo é apresentar 0% de falso-negativos e o menor número possível de falso-positivos”, disse o professor da Unicamp.
Para complicar, o diabetes pode provocar cerca de 30 diferentes anomalias na retina e todas teriam de ser consideradas pelo programa. Uma primeira solução é utilizar um modelo matemático para cada uma das disfunções, mas isso seria extremamente trabalhoso e demorado.
Por essa razão, a equipe optou por uma solução mais abrangente, denominada de model free (“sem modelo específico”). “É como procurar uma imagem na internet: solicitamos itens específicos e o buscador mostra os resultados com aquelas características”, explicou Wainer.
No caso, o programa desenvolvido seleciona pontos-chave da imagem da retina procurando por características anômalas, como cores, deformações e tamanhos que diferem de uma retina normal.
O protótipo desenvolvido foi testado para que os pesquisadores pudessem verificar se ele conseguiria detectar todas as anomalias na retina provocadas por diabetes com a mesma acurácia dos métodos tradicionais.
O teste foi realizado com 2.381 imagens selecionadas de um banco de 8.039 fotos que já haviam sido laudadas por 11 especialistas. O sistema apresentou 95% de sensibilidade, significando que retornou apenas 5% de resultados falso-negativos.
O sistema ainda está em desenvolvimento e mais dados estão sendo acrescentados. Ele deve ser testado em 2011 em unidades de saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), parceira do grupo da Unicamp no projeto.
A Unifesp pretende utilizá-lo no Mutirão da Catarata e do Diabetes, campanha organizada a cada dois meses pelo Instituto da Visão, unidade do Departamento de Oftalmologia da instituição.
(Fonte: Fabio Reinol/FAPESP)