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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

DOR CRÔNICA

A dor crônica atormenta pelo menos 28% da população brasileira, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor.
Falta de tratamento correto e automedicação são os principais fatores que podem transformar uma dor passageira em crônica. De acordo com especialistas, o que caracteriza a doença é a formação de uma memória da dor.
"É como se o cérebro se acostumasse com a sensação e a reproduzisse ao menor estímulo", explica o reumatologista Jamil Natour, professor da Unifesp.
Quer dizer que a doença pode ter sido curada e, ainda assim, o paciente continuar com o sintoma. "A dor passa a ser a doença", diz Natour.
Mesmo sintomas aparentemente fracos podem desencadear a consolidação da memória cerebral. "Quanto mais tempo a pessoa sente dor, mais difícil será de fazer com que ela pare", afirma a anestesiologista Fabíola Peixoto Minson, diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. 
Para Natour, o diagnóstico é dificultado pelo fato de a sociedade considerar a dor como algo comum. "Não é normal. As pessoas perdem a chance de tratar a doença quando ela ainda é aguda."
Há várias pesquisas que buscam associar a sensibilidade à dor com a genética. Um estudo publicado na "Genome Research" identificou um gene relacionado à dor por lesão nervosa, como uma cirurgia ou trauma.
Os pesquisadores fizeram testes em ratos e depois analisaram pacientes de câncer de mama que sofriam de dor um ano e meio após a remoção parcial ou total do seio. Comprovou-se que a presença do gene CACNG2 está associada aos sintomas.
"Não temos uma estimativa precisa, mas provavelmente cerca de 20% da população tem esse gene", afirma o professor Marshall Devor, um dos coordenadores do trabalho, em entrevista à Folha.
Não há evidência de que o mesmo gene esteja associado a outros tipos de dor. "Alguns cientistas acreditam que a fibromialgia e talvez até a enxaqueca podem ter origens neuropáticas. Isso pode ajudar na prevenção ou na criação de novas drogas." 
Segundo Minson, as maiores causas da dor crônica são fibromialgia, dores musculares, pélvicas e lombares. Algumas doenças são muito mais comuns em mulheres. Para cada nove mulheres com fibromialgia, há apenas um homem. A proporção de enxaqueca é de três para um. Entre as causas, está a variação hormonal. Em qualquer caso, o tratamento nunca deve ser feito apenas com analgésicos, que só disfarçam a causa.
Além de curar a doença de base, é preciso quebrar o ciclo de sintomas e fazer com que a memória da dor se apague. "O paciente precisa passar um período sem dor para que seu cérebro comece a reagir de outra forma", diz Natour. (Fonte: Folha.com-equilibrio e saúde)

domingo, 20 de junho de 2010

VENENO DE LESMA MARINHA

Veneno de lesma marinha pode se tornar o novo tratamento padrão para dor crônica, de acordo com um novo estudo.
Os tratamentos atuais para dor neuropática usam normalmente morfina, que é altamente viciante, e gabapentina. Ambos agem em receptores nervosos.
Veneno de lesma marinha já havia sido sugerido com uma possível alternativa porque é formado por uma mistura de peptídeos conhecidos como conotoxinas. Esses peptídeos bloqueiam a condução nervosa em presas da lesma, mas em mamíferos, eles agem como analgésicos eficazes.
A única droga derivada de conotoxina aprovada para uso em humanos é ziconotida. A droga, porém, é suscetível a quebra por enzimas na saliva e intestino. Sua administração ocorre por meio de uma bomba inserida cirurgicamente na parede abdominal, tornando o tratamento invasivo e caro.
Para resolver esse problema, David Craik e sua equipe da Universidade de Queensland, na Austrália, desenvolveram a primeira droga de conotoxina ativa por via oral.
Eles começaram a pesquisa com uma versão sintética de conotoxina. As enzinmas quebram a toxina normalmente pelas pontas da molécula. Para evitar esse problema, a equipe uniu as duas pontas da conotoxina, criando uma estrutura molecular circular. Essa nova versão da molécula mostrou-se resistente às enzimas.
Em seguida, a equipe de Craik testou a conotoxina em ratos com dor neuropática. Eles descobriram que uma única dose oral reduziu significativamente a dor usando um teste padrão --quanta pressão o rato poderia aguentar antes de retirar sua pata. A conotoxina foi considerada 100 vezes mais potente quando comparada com gabapentina.
A conotoxina é tão poderosa que doses bem pequenas já são suficientes para surtir efeito, reduzindo os riscos de efeitos colaterais, disse Craik. Sua equipe entrou com um pedido no FDA (órgão que fiscaliza alimentos e medicamentos nos EUA) para a realização de testes em humanos. O estudo foi publicado no periódico "Angewandte Chemie". Fonte: folha.uol.com.br)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

POBREZA e SUAS DORES

As dores crônicas afligem quase um terço da população da capital paulista. Segundo o Estudo Epidemiológico da Dor no município de São Paulo (Epidor), o mal é mais frequente entre as pessoas com menor escolaridade. O trabalho foi realizada pelo Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e patrocinado por um laboratório farmacêutico privado.
A coordenadora do estudo, Maria do Rosário Latorre, aponta as condições de vida, o tipo de ocupação e a facilidade do acesso ao atendimento médico como as prováveis causas da associação entre a escolaridade e a ocorrência de dor crônica.
"São trabalhos que exigem algum esforço físico, ou estar exposto a alguma substância que dá dor de cabeça. Além disso, as pessoas com baixa escolaridade, geralmente, moram nesses bairros periféricos, pegam ônibus lotado e enfrentam muito mais problemas do que as pessoas que vão com seu carro", afirma.
De acordo com a pesquisa, a dor crônica atinge 28,1% dos 2.446 entrevistados para o estudo. O porcentual aumenta para 33,7% entre os analfabetos e cai para 23,5% no grupo com 15 ou mais anos de estudo.
A ocorrência da dor constante também varia de acordo com a ocupação das pessoas. Segundo a pesquisa, o problema atinge mais os aposentados (36%), os autônomos (35,7%) e as donas de casa (33,3%).
A resistência em procurar tratamento é um ponto que chama a atenção, segundo Maria do Rosário. Entre as pessoas que sofrem com dores nos membros inferiores, 54,6% não buscaram nenhum tipo de atendimento. Entre as que têm dor nas costas, o porcentual é de 45,1%.
"A questão da falta de tratamento é que você não sabe a origem dessa dor. Uma dor de cabeça pode ter várias origens, pode ser até uma coisa simples ou pode ser até um tumor. Se você não procura um tratamento adequado, pode estar agravando isso", alerta a especialista.
Maria do Rosário destaca também a importância da existência de uma campanha de prevenção, voltada principalmente para as pessoas com menor escolaridade. Ela acredita que é necessário conscientizar essa parcela da população sobre hábitos cotidianos, como posturas inadequadas ou exposição a substâncias nocivas, que podem ser fontes de dores contínuas. (Fonte: Estadão/SIS.SAÚDE)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

TERAPIA COM OPIÓIDES

PAPOULA
A terapia em longo prazo com opióides para dor crônica não relacionada a câncer está se tornando cada vez mais comum na prática comunitária. Concomitante a esta alteração na prática, as taxas de overdose têm aumentado.
Um estudo realizado nas universidades de Washington, Califórnia (EUA) e Keele (Reino Unido) e publicado no periódico Annals of Internal Medicine avaliou as taxas de overdose de opióides e a associação com o uso diário prolongado. A amostra consistiu em 9.940 pessoas, recebendo 3 ou mais prescrições de opióides em 90 dias para dor crônica não relacionada a câncer.
Foram identificados 51 casos de overdose de opióides, incluindo 6 mortes. Comparados aos pacientes que recebiam 1-20 mg/dia de opióides, aqueles em uso de 50-99 mg/dia tiveram aumento de 3,7 vezes no risco de overdose. Os pacientes que recebiam 100 mg/dia ou mais tiveram risco 8,9 vezes maior.
Os resultados indicam que os pacientes que recebem altas doses de opioides têm risco aumentado de overdose, o que reforça a necessidade de supervisão mais rigorosa destes pacientes.
Fonte: Annals of Internal Medicine, Volume 152, Number 2, January 19, 2010, Pages 85-92.
(Fonte: Bibliomed/SIS.SAÚDE)