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sábado, 10 de julho de 2010

MÚSICA e CORAÇÃO

Pode ser a batida pop de Sting, a cadência dos sambas de Cartola, as sinfonias de Mozart ou ainda os tangos com incorporações de jazz de Astor Piazzolla. Não importa. Basta ouvir aquela música preferida para que uma cascata de emoções positivas venha à tona, fazendo a gente reviver dez, cem, mil vezes uma situação prazerosa.
Amplificações à parte, o que um estudo da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, acaba de provar e apresentar para a Associação Americana do Coração é que aquelas canções consideradas especiais para um indivíduo têm efeito direto sobre a saúde cardíaca.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores resolveram medir, por meio de ultrassom, o diâmetro dos vasos sanguíneos no braço de dez voluntários saudáveis e não fumantes logo após uma sessão com suas músicas prediletas. Os participantes, no entanto, tiveram de se submeter a um jejum musical durante os 15 dias anteriores à medição, tudo para intensificar o impacto do estímulo sonoro na hora do experimento.
No dia D, foi pedido a eles que levassem os hits que mais lhes causavam contentamento — o estilo country, o sertanejo à americana, foi disparado o mais escolhido na experiência. Depois de 30 minutos ao som das canções, os cientistas observaram um aumento de 26% no calibre dos vasos, um resultado bastante expressivo — para ter uma ideia, um vídeo com o mesmo tempo de duração e tiradas bem-humoradas provocaram uma dilatação de 19%. Ainda a título de comparação, audiotapes para induzir ao relaxamento causaram uma distensão de 11%. Já a barulheira do heavy metal deixou os vasos 6% mais estreitos e os voluntários, ansiosos.
Mas por que a música cala fundo no coração? “Acreditamos que esse tipo de estímulo provoque a liberação de substâncias protetoras, como o óxido nítrico, que dilata os vasos”, explica a SAÚDE! o cardiologista Michael Miller, um dos autores do estudo. “Além disso, o óxido nítrico reduz a formação de coágulos e o endurecimento das artérias”, conclui o médico, um fã confesso de jazz.
Essa molécula benéfica é secretada pelo endotélio, a camada que reveste internamente os vasos. Daí, não é de estranhar que o trabalho também tenha investigado como esse tecido reage às notas sonoras. O aumento do calibre arterial permite que o sangue circule com mais facilidade, o que contribui para abaixar a pressão e levar uma maior quantidade de oxigênio para o corpo todo. “E, quanto maior a oxigenação das células, melhor o funcionamento do cérebro, do coração e do sistema imunológico”, explica o neurologista e maestro Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo.
O efeito benéfico da música começa a reverberar primeiro na massa cinzenta para, em seguida, se refletir no coração. “Ela aumenta a produção de endorfina e serotonina, substâncias produzidas no cérebro e responsáveis pela sensação de prazer, faz diminuir a liberação de cortisol, o hormônio do estresse, e, por fim, regula a frequência cardíaca”, diz Muszkat, que também é coordenador do In Music, grupo de cientistas da Unifesp que estuda a ação da música sobre o corpo.
Quer ouvir mais uma vantagem de manter o MP3 ligado? No início de 2008, um estudo publicado na importante revista científica inglesa The Lancet revelou que a música contribui para a reabilitação de indivíduos que sofreram derrame. Mas que tipo de som? De novo, o que estivesse ao gosto do freguês. Entre os 60 pacientes acompanhados por dois meses, aqueles que escutaram composições do gênero “minhas preferidas” apresentaram memória verbal e atenção significativamente melhores do que o grupo que era só ouvidos para audiolivros.
Outra boa notícia: o tempo exato de audição capaz de manter o coração e a mente em paz está longe de ser uma coisa do outro mundo. “Um estudo do Instituto de Montreal, no Canadá, mostrou que a exposição constante ao estímulo, por pelo menos duas horas diárias, já produz benefícios para a saúde em três ou quatro dias”, revela Muszkat. O pesquisador americano Michael Miller é mais contido na prescrição da dosagem.
“De 20 minutos a meia hora de música agradável, várias vezes por semana, já é uma boa pedida”, recomenda. (Fonte: KÁTIA STRINGUETO-Revista Saúde) 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

SE SEGURA, PEÃO!!

A emoção e a ansiedade, tão presentes durante os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo, devem ser bem controladas pelos espectadores, especialmente por aqueles com histórico de doenças cardíacas.
O alerta é dado por cardiologistas, preocupados com a possibilidade de que a euforia das partidas desencadeie problemas no coração dos torcedores apaixonados.
A orientação tem como base números divulgados durante a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. Pesquisa revelou aumento de 30% a 40% nos atendimentos em pronto-socorros a pacientes alemães com queixas cardiovasculares agudas. Os cardiologistas temem que o mesmo aconteça com os torcedores brasileiros neste ano.
Segundo o cardiologista Marcelo Paiva, do Hospital Nove de Julho, em situações de estresse ou de emoção, o corpo produz uma descarga de adrenalina que resulta no aumento da pressão arterial e da freqüência cardíaca. Se há obstrução ou estreitamento nas artérias e veias coronárias, pode ocorrer infarto ou derrame cerebral, como explica o cirurgião cardiovascular Januário Manoel de Souza, do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Especialistas orientam que os torcedores evitem o consumo de substâncias como bebidas alcoólicas e frituras. "Estimulantes como cafeína e cocaína podem provocar aceleração do coração e levar a uma crise de arritmia", explica o cardiologista Nabil Ghorayeb, do Hospital do Coração (HCor).
As medidas devem ser tomadas desde os primeiros jogos da seleção brasileira na Copa, ainda que eles não prometam tanta euforia. Nisso, até os médicos concordam. "No começo, a Copa não deve causar muitas emoções. Ninguém está acreditando muito nesta seleção", opina o cardiologista do HCor.
(Fonte: Aline Mustafa-Diário de São Paulo/SIS.SAÚDE)