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segunda-feira, 10 de maio de 2010

PROTEÇÃO DE CÉLULAS NEURAIS

Sabe-se que danos nas células neurais da medula espinhal podem causar consequências graves, já que o nervo lesionado expele substâncias que podem afetar e destruir áreas saudáveis. Existem algumas terapias para tratar esse problema, porém, sem muito sucesso.
Entretanto, estudos realizados pela pesquisadora Youngnam Cho e seus colegas da Universidade Purdue, em West Lafayette, nos Estados Unidos trazem novas esperanças. Eles trabalham com a quitosana, um composto de açúcar usado para emagrecer, produzido a partir da deacetilação da quitina, encontrada em exoesqueletos de camarão (uma espécie de capa de cobre o corpo desse crustáceo).
Uma das principais propriedades dessa substância muito usada para o desenvolvimento de cosméticos é ligar-se à gordura. Ela tem sido também  usada em cicatrização de ferimentos, remoção de proteínas alergênicas de alimentos, liberação controlada de drogas (nanopartículas), e como suplemento alimentar com efeito hipocolesterômico.
Para realizar o estudo, os pesquisadores isolaram a medula espinhal das cobaias e a comprimiram ou dilaceraram. Em seguida, observaram como a quitosana age sobre a lesão, ou seja, se o açúcar é capaz de impedir que as células neurais libertem substâncias que compõem radicais livres, destruindo a mitocôndria (fundamental para o processo de respiração celular e para a ocorrência de reações bioquímicas intracelulares).
Interessados em saber se a quitosana se ligava às células danificadas, os estudiosos investigaram se as cobaias que tinham a medula espinhal lesionada conseguiam transmitir novamente estímulos ao cérebro, após serem tratadas com o composto.  Os resultados foram surpreendentes: a quitosana não apenas agiu especificamente sobre as áreas danificadas, como também reparou as membranas celulares e impediu o vazamento de substâncias nocivas. Além disso, após 30 minutos houve a retomada de impulsos elétricos no córtex somatosensorial. Os animais não tratados com o composto não se recuperaram.
Os pesquisadores estão convencidos de que a união de gorduras pode funcionar como protetor de células neurais. (Fonte: wikipedia/Revista Mente e Cérebro)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

TÉQUINFIM! COISA BOA!

Um dos mais abundantes resíduos da indústria sucroalcooleira, o bagaço de cana-de-açúcar, poderá ter uma destinação nobre graças a uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP).
A equipe, coordenada pelo professor Adalberto Pessoa Júnior, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, desenvolveu uma fibra que poderá se tornar um tecido que, com o acréscimo de enzimas e fármacos, tem potencial para ser utilizado como curativo com múltiplas aplicações.
A pesquisa surgiu a partir da iniciativa da professora Silgia Aparecida da Costa, do Curso de Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. “O objetivo foi aproveitar dois importantes resíduos, o bagaço da cana e a quitosana, substância extraída da carapaça de crustáceos e que tem propriedades farmacológicas”, disse à Agência FAPESP.
A quitosana é obtida a partir da quitina, um polissacarídeo formador do esqueleto externo de crustáceos como siris e caranguejos, e tem propriedades fungicida, bactericida, cicatrizante e antialérgica.
O trabalho, que contou com apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, uniu as áreas farmacêutica e de engenharia de tecidos e depositou patente do processo de fabricação da fibra com potenciais farmacêuticos.
O primeiro desafio foi extrair a fibra da cana-de-açúcar, trabalho feito por Sirlene Maria da Costa que atuou no projeto com apoio de Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP. Durante o doutorado – para o qual também contou com bolsa da Fundação – Sirlene havia desenvolvido um papel corrugado, utilizado no interior de embalagens de papelão, feito da celulose do bagaço da cana.
“Por ter uma fibra curta, nosso maior receio era que a cana produzisse uma fibra de má qualidade para a fabricação de tecidos”, disse Sirlene. No entanto, em testes efetuados no Laboratório de Têxteis e Confecções do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o tecido derivado do bagaço apresentou um grau de polimerização quatro vezes maior que o da viscose, o que significa maior resistência.
Os bons resultados da fibra extraída do bagaço tornaram desnecessária a sua mistura com outros tipos de celulose, uma alternativa que os pesquisadores previam caso a qualidade do material oriundo da cana não correspondesse aos padrões exigidos.
A fibra obtida pela equipe da USP ainda conta com características que a tornam adequada para a confecção de roupas. “Ela é agradável ao toque e bastante confortável, sendo um tipo de liocel”, disse a professora Silgia referindo-se ao nome comercial da fibra oriunda da polpa da madeira.
No entanto, para ser utilizada como curativo foi preciso analisar se não haviam vestígios dos reagentes utilizados no processo de obtenção da celulose. “Constatamos que 99% do reagente é recuperado após o processo, portanto a fibra não agride a saúde”, afirmou.
Obtida a fibra, o passo seguinte foi agregar enzimas e fármacos. Além da quitosana, a professora Silgia realizou ensaios para imobilizar quatro outras substâncias às fibras de cana: os fármacos comerciais anfotericina B e sulfadiazina e as enzimas bromelina e lisozima, a primeira obtida do talo do abacaxi e a segunda da clara de ovo.
A equipe foi bem-sucedida também nessa etapa e os testes realizados posteriormente em células mostraram que o tecido curativo da cana não apresentava efeitos tóxicos.
“O produto se mostrou tecnicamente viável. A avaliação econômica caberá à iniciativa privada, caso alguma empresa se interesse em licenciar o processo”, disse Pessoa, que considera o material útil para tratamento de queimaduras, por exemplo.
Um grupo de pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP entrou em contato com Pessoa a fim de desenvolver um curativo em parceria para ser utilizado na mucosa bucal.
“O local é de difícil aderência, por isso, vamos testar a fibra para verificar se ela adere no interior da boca”, explicou o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas.
A professora Silgia, por sua vez, pretende agora iniciar uma pesquisa para incorporar citronela a tecidos de algodão. A substância extraída do capim-limão é eficiente para repelir insetos. “Roupas com citronela seriam úteis para afastar insetos como o mosquito da dengue”, destacou.
Os desafios do trabalho, segundo ela, é fazer com que a substância permaneça na roupa mesmo após sucessivas lavagens e que não seja absorvida pela pele. (Fonte: FAPESP)